O trato era simples: uma fantasia por mês, cada mês de um. Setembro era meu.
Reservei um quarto num hotel antigo da Avenida São Luís, desses com carpete vinho e elevador de porta pantográfica. Mandei para o Caio só o endereço e um horário: 21h, bar do térreo. E uma regra. Ele não me conhecia.
Comprei um vestido vermelho que eu nunca teria coragem de usar sendo eu. Pintei a boca de uma cor escura que não combina comigo. Prendi o cabelo. Na frente do espelho do quarto, ensaiei o nome em voz alta até ele parar de soar estranho.
Bia. Trinta e dois anos. Advogada, de Porto Alegre, em São Paulo a trabalho. Recém-separada. Sem nenhuma pressa de voltar sozinha para o quarto.
Desci às 20h50 e pedi um negroni, que eu acho amargo demais. A Bia gostava.
Ele chegou às 21h em ponto, de camisa escura, e passou direto por mim. Sentou na outra ponta do balcão, pediu um uísque e ficou olhando o celular. Por dez minutos achei que ele tinha desistido do jogo. Aí o barman colocou um segundo negroni na minha frente.
“O senhor ali mandou.”
Olhei. Ele levantou o copo, discreto, sem sorrir. Era um olhar que eu nunca tinha recebido dele. Avaliador, curioso, de quem não sabe o que vai encontrar.
Ele veio sentar do meu lado e perguntou se eu estava esperando alguém. Eu disse que não mais. Ele se apresentou como Rodrigo. Eu quase ri. Rodrigo é o nome do vizinho chato do nosso prédio.
A conversa foi a coisa mais estranha e mais excitante que eu já vivi. Ele me fez perguntas que nunca tinha feito, porque o Caio já sabia as respostas. O Rodrigo não sabia. Inventei uma infância em Porto Alegre, um ex-marido, uma vontade antiga de largar o direito e abrir uma livraria. Ele ouvia como se cada coisa fosse novidade. Em algum momento percebi que algumas daquelas coisas eu nunca tinha contado para ninguém, nem como Lívia.
Lá pelo terceiro drink ele encostou o joelho no meu por baixo do balcão.
“Você está hospedada aqui?”, perguntou.
“Quarto 512.”
“Isso é um convite?”
“É uma informação. O convite você tem que merecer.”
Ele pagou a conta inteira, inclusive o negroni que eu tinha pedido antes de ele chegar, e me acompanhou até o elevador. A porta pantográfica fechou com aquele barulho de filme antigo. Entre o primeiro e o quinto andar ele me beijou contra a grade de ferro como se tivesse esperado a noite toda por isso. Eu deixei a Bia responder. A mão dele subiu pela minha coxa por baixo do vestido e encontrou a calcinha já úmida. Ele passou o dedo por cima do tecido e eu soltei o ar na boca dele.
No quarto ele não acendeu a luz. Só a claridade fraca da rua entrava pela cortina. Abriu o zíper do vestido devagar, perguntando meu nome de novo no meu ouvido.
“Bia.”
“É bonito.”
O vestido escorregou até o chão. Ele ficou me olhando por um segundo, como se realmente estivesse vendo uma estranha. Depois me puxou pela cintura e beijou meu pescoço, meus seios, o espaço entre eles. Eu desfiz os botões da camisa dele com pressa. Quando a calça caiu, o pau dele estava duro, pesado, a cabeça já brilhando. Segurei e masturbei devagar, sentindo o peso familiar e, ao mesmo tempo, completamente novo.
Ele me levou até a cama e ajoelhou entre minhas pernas. Puxou a calcinha com os dentes e lambeu com uma fome que o Caio raramente mostrava tão cedo. A língua dele era quente, insistente, e os dedos entraram logo em seguida, dois de uma vez, curvando até eu arquear as costas. Eu gemia o nome errado de propósito.
“Rodrigo…”
Quando ele subiu, eu já estava encharcada. Ele posicionou o pau na entrada e empurrou devagar, olhando nos meus olhos o tempo todo. Entrou até o fundo num movimento só. Eu soltei um gemido alto demais para um hotel antigo. Ele ficou parado um instante, me enchendo completamente, e depois começou a meter. No começo lento, fundo, como se quisesse memorizar a sensação de me foder pela primeira vez.
Eu envolvi as pernas na cintura dele e puxei para mais perto. Ele acelerou. O barulho molhado da minha boceta engolindo o pau enchia o quarto escuro. Cada estocada batia fundo. Eu cravei as unhas nas costas dele e gozei primeiro, contraindo forte, com o nome “Rodrigo” saindo pela boca misturado com um gemido.
Ele não parou. Me virou de quatro, segurou meu cabelo preso e meteu de novo, mais forte. O vestido vermelho ainda estava jogado no chão, a boca escura borrada no travesseiro. Eu empurrava para trás e ele respondia com estocadas curtas e profundas. O som da pele batendo era obsceno. Em algum momento ele se inclinou e falou no meu ouvido, a voz rouca:
“Você é tão molhada, Bia…”
Aquilo me fez gozar de novo. O ciúme de mim mesma veio junto com o orgasmo, quente e estranho. Ele segurou minha cintura com as duas mãos e fodeu até o limite. Quando estava perto, perguntou:
“Onde?”
“Dentro”, respondi sem hesitar.
Ele enterrou até o fundo e gozou, pulsando, enchendo. Eu senti o calor se espalhar e escorrer quando ele saiu devagar. Ficamos deitados no escuro, respirando pesado. Ele passou a mão pelas minhas costas e beijou a nuca, ainda chamando de Bia.
A Bia ficou até umas três da manhã. Quem acordou do lado dele foi a Lívia, com a boca borrada e o vestido vermelho ainda no chão, onde tinha caído.
Ele abriu um olho e sorriu.
“Bom dia, desconhecida.”
Outubro é dele. Ainda não me contou o que escolheu, só pediu para eu reservar a sexta-feira inteira.
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